*Matéria escrita especialmente para o 'Cabaré do Timpin': ( http://musicaoriginalbrasileira.blogspot.com/2011/05/muito-alem-da-banda-calypso.html).
Muito além da Banda Calypso
Texto escrito por Paty Faria. Paty possui um conhecimento musical enciclopédico e com este texto exclusivo, faz sua estréia no Cabaret. Para falar sobre ela, nada melhor que ela mesma.
Ela ainda escreve nos seguintes sites:
Brega Pop
Pará On Line
Som dos Paredões
Seu Forró
Twitter: @patyzinhafaria
Muito além da Banda Calypso
Saudade ... Direto a saudade bate ... Saudade de anos como 2003, 2004 e principalmente 2005, anos que foram dourados e que renderam muito para o ritmo calypso, em suas diversas nuances e versões, tanto dói essa saudade, que hoje passei a tarde escutando alguns vídeos de bandas como Kassikó, Furação do Pará, Lamazon, Parámazon, Vendaval, Companhia do Calypso, Banda da Loirinha, e principalmente da Banda Calypso há uns 8 anos atrás ou menos, vídeos que em sua maioria, raramente acontecem ao vivo, nos dias hoje, cenas que com certeza não se repetiram novamente, e que nos faz perguntar o porquê um ritmo que trazia tantas performances boas, acabou desse jeito. Por que ?
Ano passado,escrevi uma matéria sobre o fim de uma das maiores bandas do ritmo calypso (FURAÇÃO DO CALYPSO), e da decadência do mesmo, para o site BREGAPOP, foi um alvoroço total, e recebi uma resposta de uma leitora de Belém, dizendo que gostava muito do meu trabalho, mas como eu não era de Belém, estava enganada em dizer que o ritmo calypso tinha acabado, pois ele nunca deixou de tocar no Pará, pois sempre tocava nos bailes da saudade.
Não me ofendi com a crítica da minha estimada leitora, até porque todos têm direito ao livre arbítrio e ao direito de liberdade de expressão, mas fiquei a pensar, será que estou cega, surda, muda?
Em várias pesquisas e em contato com vários amigos paraenses, alguns do meio musical, eles sempre me reclamavam que o ritmo estava morto, e o pior, só não estava sepultado, porque a Banda Calypso, ainda o estava a tocar.
Bom, tudo bem que ela falou que sempre tocava nos bailinhos da saudade, mas o que adianta tocar em bailes da saudade? Cadê o glamour, os figurinos parecendo alegoria de carnaval de escola de samba, os dançarinos dançando pra lá e pra cá sem parar, as encenações, as letras ora românticas, ora engraçadas?
Pelo jeito, irão ficar apenas presas em bailinhos da saudade mesmo ... E isso para mim não é consolo, pelo contrário,é derrota!
Outros me dizem que, foi necessária essa exclusão do ritmo calypso, pois o tecnomelody é uma evolução do mesmo, tanto que hoje a maioria das bandas que eram ritmo calypso ou viraram forró ou tecnomelody, é, realmente, pode ser uma evolução, e apesar de gostar muito de melody, confesso que preferiria mil vezes, virar a mulher das cavernas e não evoluir, apenas para que o ritmo calypso fosse preservado.
Metaleiras afinadas, vários dançarinos, muita cores (algumas bregas até demais), coreografias muito sensuais, e encenações, como sinto falta de encenações ... Sinto falta também de ótimas cantoras como: Nayra Rêgo, Mylla Karvalho, Lenne Bandeira, Joelma Mota, Ana Paula Mota, Leya Sanches, dentre outras, sendo que a maioria aqui citada não está mais na ativa.
Talvez tenha sido por preconceito, talvez a Banda Calypso não cedesse espaço para seus conterrâneos, talvez tenha sido pelas brigas e ambições assim como tem acontecido no tecnomelody, afirmar o real motivo seria muita pretensão por minha parte, eu mesma não sei, na verdade seria um pouco de tudo que fora citado.
A esperança talvez exista, a banda Kassikó, por exemplo, lançará em breve um cd em ritmo calypso, para comemorar seus dez anos de carreira, a Banda Companhia do Calypso lançou recentemente seu quarto DVD, com ótimas músicas em ritmo calypso, o que podemos fazer é torcer para que dê certo,e que o ritmo não fique apenas na mão da Banda Calypso, pois desse modo mais cedo ou mais tarde, o ritmo perderá suas raízes, já que está sem chão para se firmar, e muito menos que fiquem restritos a "bailinhos da saudade”, pois de SAUDADE aqui basta!
Sem mais ...


